
A Exposição temporária “Na Rota da Urzela – Plantas tintureiras”, é inaugurada no dia 8 de agosto, pelas 16h30 e fica patente ao público, no Museu Etnográfico da Madeira, até 16 de setembro.A exposição apresentará um conjunto de obras (fragmentos) executadas em têxtil tingido com tintureiras, utilizando técnicas de diferentes continentes.Como escreve a artista plástica e pedagoga, Manuela Jardim, “As cores fazem parte do nosso dia a dia impregnadas de simbolismo e significado. Estão distribuídas na natureza inspirando-nos na hora da criação artística, permitindo que nos expressemos para além das palavras.Uma das muitas vantagens de trabalhar com plantas tintureiras é a possibilidade de produzir cores que misturadas entre si criam novas cores.Os corantes naturais podem ser extraídos a partir de folhas, flores, sementes, raízes, pedaços de casca de árvores, arbustos e outros tipos de plantas e liquens que encontramos na natureza. Com eles podemos obter infinitas combinações e efeitos. Mas não é só o reino vegetal e os liquens que nos fornecem elementos tintórios. Também com certos animais marinhos, o murex, o quermes, o choco e insetos como a cochonilha, se preparam cores e tonalidades.Conhecer a história nos revela que o processo de extração de corantes vegetais fez parte integrante da vida humana desde tempos ancestrais e que se transformou mesmo numa importante atividade económica e cultural que se foi transmitindo entre várias gerações.A exposição Na Rota da Urzela (plantas tintureiras) surge no seguimento do projeto sobre os panos d`Obra da Guiné e de Cabo Verde, iniciado em 2004 e desenvolvido em vários temas. E, são eles também fragmentos da História e de histórias.Com esta exposição pretende-se dar a conhecer as tintureiras que no século XVI, tal como a urzela, fizeram parte da rota dos Descobrimentos. Aí, numa feliz miscigenação de cores, cheiros e sabores, as civilizações se cruzaram, se detiveram e abriram as portas à harmonização de diferentes culturas. (…)A definição dos objetivos didáticos do projeto, levaram-me à escolha de materiais com significado expressivo e características técnicas específicas. E também, a materiais pertencentes à Ribeira Brava onde a exposição se realiza, em busca da sua identidade, fazendo participar o lugar.Assim, os têxteis, as sacas em serapilheira recuperadas e em algodão, são utilizados como suporte base dos trabalhos. São validados como símbolo de união, pela sua estrutura em trama e também permitem a criação de um efeito onírico especialmente pela sua translucidez e texturas. As Linhas, as cordas, as redes, os retalhos e os vimes, são incorporados num processo criativo através de técnicas da pintura, estampagem e tingidura.A Madeira, como lugar de encontro de culturas poderá significativamente contribuir para a recuperação/valorização das plantas autóctones utilizadas em tinturaria natural e celebrar a História. Incentivar para a investigação, a preservação e conservação do ambiente através da criação artística, é um desafio.”